Anotações de um dia estranho

Por Tavarez Vandal para o Coletivo Carranca


Sabe aquele caderno de anotações que ficava ao lado do telefone convencional e quando você falava ao telefone, rabiscava-o? Não sou tão velho, mas tenho a mania de ficar rabiscando coisas enquanto acompanho outras. Rabisquei bastante, foram horas de um filme estranho com um roteiro que não conhecia do Brasil, desconfiava, mas não o conhecia. O Congresso estava nu, mas não pelas agências que acompanham o cotidiano dos congressistas, estava nu por eles mesmos. Foram se despindo lentamente (alguns aceleravam o processo).  Em questão de minutos estavam todos eles mostrando o horror de representatividade em Brasília.

Tem muita coisa envolvida naquela cena. Aquilo é apenas a aparência de uma triste essência. Espero que muitas lições tenham ficado para a juventude e à classe trabalhadora e que agora é necessário começar a construir, mesmo que lentamente, porque o tempo histórico não é o tempo das nossas vontades e dos nossos desejos, mas que fica uma tarefa histórica de superarmos o lixo que se apresentou no Congresso em nome do povo (na verdade em nome da família, de Deus, dos evangélicos, do agronegócio) e caminharmos para uma sociedade justa e igualitária.

Fico com as palavras do comunista Saramago:

“Um dos dramas do nosso tempo é que há um poder – o único poder que existe no mundo, que é o financeiro – que não é democrático! E as pessoas não reparam nisto, apesar de estarem sempre a falar em democracia. Tanto mais que sabemos que os governos, indireta ou diretamente, estão ali para executar políticas que não são as suas”

Por fim

“O problema é que continuamos a chamar de democracia uma coisa que já não o é”

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Tavarez / Tavarez Vandal estava desenhando no domingo (17), e nos enviou a série e nos escreveu esse texto sobre seus pensamentos do dia, a convite do Coletivo Carranca.

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