De Muhammad Ali à medalha olímpica


Diariamente boxeadores amadores vão para a frente do Tata Raphael treinar. Foto: Yan Boechat (2014).

Em 30 de outubro de 1974, no Congo, Muhammad Ali e George Foreman protagonizaram o maior confronto do mais nobre dos esportes de combate. Desde então, em Kinshasa, a capital do antigo Zaire, o boxe se transformou em uma febre nacional. Pela primeira vez o país africano criado sob os desígnios do rei belga Leopoldo II era palco de um evento que não envolvia morte, torturas ou a barbárie. Pela primeira vez em sua história os congoleses tinham diante de si homens negros que eram astros mundiais.

Ao ler (ou reler) as reportagens de Yan Boechat, realizadas e publicadas 40 anos depois do evento histórico, tenha em mente que a luta por liberdades e igualdades continua; que o Congo tem o pior IDH do planeta; que a luta se deu num país controlado, à época, de forma impiedosa, por um típico ditador sanguinário colocado no poder com a ajuda da CIA e apoiado de forma incondicional pelo governo americano; que Kubomango não venceu si mesmo; que do país assolado pela guerra civil, no Brasil há hoje mais de 8,5 mil refugiados, centenas deles no Rio de Janeiro; que Yolanda Bukasa e Popole Misenga, judocas resgatados por ações humanitárias há dois anos são moradores invisíveis em favelas cariocas e disputam medalha; que medalhas se dão em 2016 às custas de muitos sonhos e treinos incríveis, mas também por muita dor e injustiça, não só no Congo ou no Brasil.

A luta de Kubomango, um dos inspirados pela luta - http://coletivocarranca.cc/o-ultimo-desafiar-kibomango-morreu-ringue/

Por dentro do estádio da luta histórica, 40 anos depois - http://coletivocarranca.cc/nos-escombros-da-maior-luta-seculo/

Sobre a guerra civil no Congo - http://coletivocarranca.cc/congo-um-pais-sob-o-dominio-da-forca/

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