Carta dos Estudantes Perseguidos políticos do CIEP 114

Relatos de possível perseguição de milícia


Carta recebida pelo Coletivo Carranca e publicada na íntegra

Na segunda-feira, dia 28 de março, alunos, ex-alunos, professores e moradores da comunidade se uniram para protestar contra os ataques do governo estadual contra a instituição da escola, assim como outras que foram ocupadas como “C.E. Prof Mendes de Morais” e “C.E. Gomes Freire de Andrade”, inspirados nas ocupações de São Paulo, Goiás, Chile e Argentina , decidiram ocupar a escola que ao povo pertence. Durante esse tramite, quando demos inicio ao processo de entrada das pessoas do movimento, os mesmos foram surpreendidos por um homem armado que saiu de dentro de um carro com a Placa KXO-0542, verificada pelos advogados do SEPE e que constava que que o veiculo era apreendido pelo detran. Esse senhor, não identificado teve livre acesso a escola, e escoltou a direção da instituição ate a saída da unidade.

 

Logo após os populares dispersarem o movimento, um outro carro apareceu e ficou circulando a região do colégio, seguindo os estudantes que iam para suas casas, professores que caminhavam até o ponto de ônibus, e trotes também foram realizados para intimidar os integrantes do ato.

 

O histórico de repressão por parte da direção do CIEP já não é recente. Em 2012, integrantes da UJR – União da Juventude Rebelião – foram perseguidos por um carro preto ao insistirem em entrar na instituição para tirar delegados da UBES. Em 2013 uma estudante foi perseguida com sérias ameaças psicológicas por postar um vídeo nas redes sociais denunciando as péssimas condições da escola e deixou a instituição no final do ano letivo por medo de represálias. Em 2014, um professor de educação física deixou a escola por ter sido trocado para ar aula para o ensino fundamental após contestar o porque da direção querer controlar o evento “show de talento”, organizado pelo Grêmio. Em 2016, um estudante foi intimado a assinar um termo que colocava em xeque-mate todas as suas atividade políticas sendo acusado de nazistas, aliciador de menores e de denegrir a imagem de uma escola publica,. O mesmo deixou a escola temendo represália. A Sala do grêmio não foi dada,a ata do grêmio segurada pela direção, somente sido liberada após a pressão por parte da UME – União Meritiense dos Estudantes.

 

Apesar disso tudo, não esperávamos que a direção da instituição chegasse tão longe ao ponto das mesmas contarem com o apoio de milícias para impedir a luta dos estudantes.

 

Alguns integrantes do movimento tiveram que deixar a cidade. Isso mesmo, deixar a cidade por conta da gravidade das ameaças, e alguns estudantes não querem mais voltar para instituição por que estão traumatizados. Tudo isso sendo presenciado por vários moradores da região. Pedimos o apoio de estudantes, professores, entidades, sindicatos, ONGs e defensores dos Direitos Humanos para que a justiça em relação a esse caso seja feita

 

Atenciosamente

 

GEFESC
Grêmio Estudantil do CIEP 114 – Fernando da Silva Cândido.

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Hare Brasil

Hare Brasil

Logo aos 5 anos de idade decidiu ser advogado, como o déficit de atenção é grande, antes passou pela Música e Teologia. Atuante na área criminal trabalha na defesa dos Direitos Humanos.

Leonardo Soares Coelho

Leonardo Soares Coelho

Fotógrafo e jornalista

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