Lama da Samarco chega ao Banco de Abrolhos


Cerca de 650 km, em 16 dias, até encontrar o mar. Foto: Enrico Marcovaldi. (Regência, ES - 22/11/2015).

A lama com resíduos tóxicos provenientes do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, MG, chegou ao Banco de Abrolhos.

Apesar de especialistas considerarem baixa a possibilidade do avanço da lama até o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, propriamente, e das baleias Jubarte já estarem rumo à Geórgias do Sul, a situação ainda significa risco para a biodiversidade marinha e incerteza sobre o futuro do ecossistema da região.

Segundo, Marcia Engel, do Instituto Baleia Jubarte, para o Coletivo Carranca, “No sábado (21/Nov) a lama chegou na foz do rio Doce. Do ponto de vista dos cetáceos (mamíferos marinhos) nossa preocupação maior é com uma população isolada de toninhas (ou franciscanas), o golfinho mais ameaçado de extinção do Brasil e que ocorre exatamente na área afetada. Na região também ocorrem mais de 50 botos cinza, espécie também bastante costeira e considerada vulnerável à extinção no Brasil. Eles poderão ser impactados pela redução das presas (peixes) que fazem parte de sua dieta ou pelos contaminantes (chumbo, mercúrio, etc) que fazem parte da composição da lama.” E complementa: “A lama já está no Banco dos Abrolhos, que é a extensa área considerada hot spot de biodiversidade no Atlântico Sul Ocidental e que se estende do rio Jequitinhonha na Bahia ao rio Doce no Espírito Santo.”

Veja no mapa o caminho dos rejeitos da Samarco-BHP-Vale, a área do Banco de Abrolhos e a localização específica do arquipélago., clicando nas legendas-links específicos.

Em relatório produzido durante workshop para discussão da proposta do Santuário de Baleias do Atlântico Sul (SAWS), nos dias 18 e 19 de Novembro, os impactos são espcificados: “O rio Doce desagua no litoral do Espírito Santo na localidade de Regência.  Este local é o limite sul do Banco dos Abrolhos, área marinha de relevante importância por ser um hot spot de biodiversidade.  Ao sul de sua foz encontra-se a Reserva Biológica de Comboios. Duas espécies de pequenos cetáceos que ocorrem na região estão potencialmente expostas aos impactos ocasionados pelo acidente: a Toninha (Pontoporia blainvillei) e o boto-cinza (Sotalia guianensis). Estas espécies estão classificadas como “em perigo crítico” (CR) e “vulnerável” (VU), respectivamente. Ambas habitam águas rasas até 50 metros de profundidade, podendo entrar em estuários e baías, utilizando a região para alimentação e reprodução. As toninhas do litoral capixaba fazem parte da área de manejo 1A (FMA 1A) e encontram-se isoladas do restante da população. Grupos de botos-cinza com cerca de 50 indivíduos são observados na região entre Regência e Barra do Riacho.”

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Sobre Abrolhos, Rio Doce, a lama da Samarco-BHP-Vale e a política ambiental do governo brasileiro, leia mais em: http://coletivocarranca.cc/morte-vista-de-cima/

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NOTA DA REDAÇÃO: Sobre BANCO de Abrolhos: Conforme se lê no conteúdo da matéria, nas aspas da bióloga, a região no oceano que vai da foz do Rio Doce, litoral do ES (foto) até foz do Rio Jequitinhonha, na Bahia, chama-se Banco de Abrolhos (ver no mapa acima, ou em https://goo.gl/ITjlOD) – não confundir com o Parque de Abrolhos (onde fica o arquipélago de mesmo nome, a cerca de – menos de – 300 km da foz do rio Doce – ver no mesmo mapa), que corresponde a apenas 1% do Banco de Abrolhos. A foto da matéria, com localização e data junto ao crédito, está correta e ilustra um ponto da região mencionada. Para maior aprofundamento, entre outras no Google e trabalhos acadêmicos, recomendamos também essa matéria/entrevista: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/526917-parque-nacional-de-abrolhos-um-santuario-ameacado-entrevista-especial-com-rodrigo-leao-de-moura

 

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Raquel Boechat

Raquel Boechat

Queria ser Lispector, mas acabou Jornalista, Roteirista, Radialista, Mestre-Arraes e Mergulhadora que não sabe nadar, Cineasta sem filme, Escritora sem livro publicado. Então voltou pra escola para ver se faz Direito. No meio disso criou 17 APAs e encarou uma pós em Arqueologia. Neste momento é a especialista Marketing Político que chutou o pau da barraca em 2013 e virou manifestante sem cachê.

Rui Massato Harayama

Rui Massato Harayama

Antropólogo, Colaborador da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Educação do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro. Ativista do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

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