MARÇO: DÉCIMO PRIMEIRO MÊS CONSECUTIVO DE CALOR HISTÓRICO


Mapa / Temperatura - NASA. Fonte: http://migre.me/tAghH

Março foi o décimo primeiro mês consecutivo em que são registradas temperaturas acima dos limites (original em inglês), aquelas que acionam o alerta vermelho do aquecimento global.

Conforme publicamos mês passado, esse limite já havia sido ultrapassado, a temperatura no hemisfério norte subiu dois graus acima da média, com dados não vistos há mais de um século. 

A notícia é fundamentada em dados da Organização Metereológica Mundial, NASA e Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, e no artigo do meteorologista Eric Holthaus.

“Hoje, assumo o compromisso da pronta entrada do acordo em vigor. O caminho que temos que percorrer a partir de agora será ainda mais desafiador”, afirmou a presidente Dilma Rousseff, hoje (20), em seu discurso falando de clima, na ONU.
O discurso foi no encontro do Acordo de Paris, um dos atos mais importantes, se não o mais importante de todas as nações signatárias, que acontece a partir de hoje, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque. Em sua fala a presidente colocou o compromisso do governo brasileiro em reduzir o desmatamento a zero:
“Tenho orgulho do trabalho desenvolvido pelo meu governo e pelo meu país”, disse, agradecendo o “esforço incansável” da delegação brasileira nas discussões em Paris.

Sobre a política ambiental do governo federal, nossa tragédia como projeto

Desde 2014, o Coletivo Carranca tem publicado uma série de matérias sobre crimes ambientais e sobre o desmanche do licenciamento ambiental no Brasil. Segue a retrospectiva.

Imagens inéditas do rompimento da barragem de Mariana e o acordo que encaminha para uma grande pizza emhttp://coletivocarranca.cc/o-desespero-de-mariana/

A audiência pública, de março de 2016, sobre o novo Licenciamento Ambiental e a Agenda Brasil em: http://coletivocarranca.cc/dia-8-de-marco-ministerio-publico-federal/

Ordem da Casa Civil, conforme dito na Audiência Pública de Setembro de 2014, cujo áudio na íntegra você ouve em: http://coletivocarranca.cc/licenciamento-ambiental/.

O golpe fatal, com uma das principais novas regras, a Portaria Interministerial 60/2015 (e era só o começo), você conhece detalhadamente em: http://coletivocarranca.cc/nova-portaria-interministerial-602015-licenciamento-ambiental/

E um compilado de todas as matérias sobre as várias etapas desse processo de desmanche em: http://coletivocarranca.cc/nossa-tragedia-ambiental-e-um-projeto/

Sobre Abrolhos, Rio Doce, a lama da Samarco-BHP-Vale e a política ambiental do governo brasileiro, leia mais em: http://coletivocarranca.cc/morte-vista-de-cima/

Em http://coletivocarranca.cc/nenhuma-nacao-renuncia-ao-desenvolvimento/, ao ouvir a ministra do meio ambiente do Brasil, entende-se bem o projeto ambiental do governo federal.

Nos demais links, a consolidação do projeto…

http://coletivocarranca.cc/funai-tambem-publica-instrucao-normativa-licenciamento-ambiental/
http://coletivocarranca.cc/sem-portaria-especifica-fundacao-palmares-lanca-cartilha-sobre-licenciamento-ambiental/
http://coletivocarranca.cc/patrimonio-arqueologico-e-cultural-sob-ameaca/
http://coletivocarranca.cc/nova-portaria-interministerial-602015-licenciamento-ambiental/

A continuação do projeto…
http://coletivocarranca.cc/br-319-ministerio-publico-federal-diz-pare/
http://coletivocarranca.cc/br-319-manutencao-sonho-da-ditadura/
http://coletivocarranca.cc/tecnicos-ibama-se-pronunciam-contra-pi-602015/
http://coletivocarranca.cc/br-319/

E mais a nossa série no Tapajós!
http://coletivocarranca.cc/?s=munduruku

O choro é livre.

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A íntegra do discurso da presidenta Dilma Rousseff:

“Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhor presidente da França e presidente da COP21, presidente François Hollande,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de governo participantes dessa cerimônia de assinatura do Acordo de Paris,
Senhoras e senhores integrantes de delegações,
Senhoras e senhores,

Com imensa honra e emoção, venho a Nova Iorque, hoje, no Dia da Terra, assinar o Acordo de Paris sobre a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, um acordo universal.

Sua conclusão exitosa, em dezembro de 2015, representou um marco histórico na construção do mundo que queremos: um mundo de desenvolvimento sustentável para todos, com o cumprimento das metas estabelecidas na Agenda 2030. O êxito deve muito à atuação do governo francês, à judiciosa e paciente construção do acordo pelo presidente François Hollande e também ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Tenho orgulho do trabalho desenvolvido pelo meu governo e pelo meu país para que, coletivamente, chegássemos a esse acordo. Tenho orgulho de nossa contribuição e da contribuição de todos os países e da sociedade internacional. Agradeço o esforço e o trabalho incansável da equipe de negociadores do Brasil, chefiada pela nossa ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Nós, países participantes, demos respostas firmes e decisivas aos imensos desafios apresentados pela construção de um amplo consenso, consenso necessário para o enfrentamento das mudanças do clima.

Hoje, ao lado de todos os chefes de Estado e de governo aqui presentes, assumo o compromisso de assegurar a pronta entrada em vigor do Acordo no Brasil e mais uma vez saúdo a todos por essa histórica conquista da humanidade.
O caminho que teremos de percorrer agora será ainda mais desafiador: transformar nossas ambiciosas aspirações em resultados concretos. Realizar os compromissos que assumimos irá exigir a ação convergente de todos nós, de todos os nossos países e sociedades, rumo a uma vida e a uma economia menos dependentes de combustíveis fósseis, dedicadas e comprometidas com práticas sustentáveis na sua relação com o meio ambiente.
Países em desenvolvimento, como o Brasil, têm apresentado resultados expressivos na redução das emissões e se comprometeram  com metas ainda mais ambiciosas.
O desafio de enfrentar a mudança do clima torna imprescindível o aumento progressivo do nível de ambição dos países desenvolvidos. Exige, de forma contínua, a mobilização de meios de implementação adequados, para que os países em desenvolvimento tenham suporte e sigam contribuindo para os esforços globais de mitigação e adaptação.
É fundamental ampliar o financiamento do combate à mudança do clima para além do compromisso de US$ 100 bilhões anuais.
É indispensável criar meios de reorientar os fluxos financeiros internacionais de modo permanente para apoiar ações que representem soluções para o problema global e promovam também benefícios de adaptação, saúde pública e desenvolvimento sustentável.
É necessário, ainda, que o setor privado desenvolva um esforço robusto de redução de emissões.
Senhoras e senhores,
Ao reiterar o compromisso do Brasil com os objetivos do Acordo de Paris, quero assegurar que estamos perfeitamente cientes que firmá-lo é apenas o começo.  A parte mais fácil.
Meu país está determinado a intensificar ações de mitigação e de adaptação. Anunciei aqui, durante a Cúpula da Agenda de Desenvolvimento 2030, a contribuição brasileira de 37% de redução dos gases de efeito estufa até 2025, assim como a ambição de alcançarmos uma redução de 43% até 2030 – tomando 2005 como ano-base em ambos os casos. 
Alcançaremos o desmatamento zero na Amazônia e vamos neutralizar as emissões originárias da supressão legal de vegetação. Nosso desafio é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e outros 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. Promoveremos também a integração de 5 milhões de hectares na relação lavoura-pecuária e florestas.
Todas as fontes renováveis de energia terão sua participação em nossa matriz energética ampliada até alcançar 45% em 2030.
Continuaremos contando com a contribuição e a participação de todos os setores de nossa sociedade, que estão conscientes da amplitude do desafio, e com a necessidade de deixar este legado às futuras gerações.
Senhoras e senhores,
Meu governo traçou metas ambiciosas e ousadas porque sabe que os riscos associados aos efeitos negativos recaem fortemente sobre as populações vulneráveis de nosso país e do mundo quando nós não tomamos medidas corretas para a contenção da mudança do clima.
Essa preocupação deve ser compartilhada agora e por todos nós. Sem a redução da pobreza e da desigualdade não será possível vencer o combate à mudança do clima. E esse combate tampouco pode ser feito à custa dos que menos têm e menos podem.
Essa é uma das razões pelas quais o conceito de desenvolvimento sustentável precisa ser referência permanente de nosso projeto comum. Incluir, crescer, conservar e proteger: eis a síntese alcançada na Conferência Rio+20, realizada no Brasil em 2012.
Senhoras e senhores,
Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir quaisquer retrocessos.
Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade.
Muito obrigada.”

 

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- Atualizações das matérias internacionais, com a colaboração de Ricardo Calderón.

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Raquel Boechat

Raquel Boechat

Queria ser Lispector, mas acabou Jornalista, Roteirista, Radialista, Mestre-Arraes e Mergulhadora que não sabe nadar, Cineasta sem filme, Escritora sem livro publicado. Então voltou pra escola para ver se faz Direito. No meio disso criou 17 APAs e encarou uma pós em Arqueologia. Neste momento é a especialista Marketing Político que chutou o pau da barraca em 2013 e virou manifestante sem cachê.

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