Neurobobagem à brasileira


Apresento a todos a tabela com as operações aritméticas simples que crianças diagnosticadas com TDAH acertaram após 10 semanas de acompanhamento em uma pesquisa realizada pelo grupo do Rohde, na UFRGS.


Foram 3 momentos, no início da pesquisa, no fim e no follow-up.


A metalinguagem científica só pode ser essa mesmo: média aritmética de acertos, com mín., máx, desvio e padrão, em um grupo de SETE crianças que se submeteram a testes aritméticos.

4 meninos e 3 meninas, divididos em dois grupos – intervenção e controle.
Grupo controle: 2 meninos e 1 menina.
Grupo intervenção: 2 meninos e 2 meninas.

Uma pesquisa realizada com 7 indivíduos, cuja conclusão é: Apesar [das limitações], é importante enfatizar o aspecto extremamente inovativo deste estudo, que foi o de introduzir a eficácia do modelo de teste na área de educação. Estudos posteriores precisarão ser realizados para confirmar os achados no presente estudo.

Como sempre, além de imaginar que educadoras não se desdobram em metodologias de ensino, ainda acompanha 5 dicas para ajudar a ensinar matemática para crianças diagnosticadas com TDAH.

É esse o tipo de pesquisa que inunda o cenário brasileiro para desqualificar a formação dos trabalhadores de educação, assim como para dizer que no Brasil, não há pesquisa científica na área da educação

Sabemos o projeto de sociedade que esse tipo de ciência proclama, e se nos desqualificam, por usarmos textos e operações de linguagem, quando buscamos a ciência nessas tabelas e nas imagens só encontramos uma coisa: mais do mesmo.

Aliás, a neurociência, quase toda ela neurobobagem, anda na mesma trilha que a raça seguiu, explicação para tudo e para todos.

Já que em audiências públicas Rohde faz tanta questão de dizer que seu ambulatório atende uma classe baixa que é ignorada pelo sistema público de saúde, porque não mostra os dados socioeconômicos dessas 7 crianças? Além de meninos, meninas, diagnósticos de TDAH e um QI aceitável, qual seria a origem social delas? Será que na escola a professora é fixa? Ou acumula vários empregos?

Mas vamos parar com esse chororô. Vou compartilhar aqui, para você, educador ‘mal formado’, sem ‘ciência educacional’ na sua grade de formação, algumas dicas de como ensinar matemática para seu aluno com TDAH, tudo isso traduzido direto do inglês!

Segura a mão do Google Tradutor:

1. Ensino da adição e subtração com uso de objetos, que devem ser gradualmente removidos.

5. A sistematização e revisão do que foi estudado, assim como a antecipação do que será desenvolvido, são aspectos essenciais, já que os estudantes com TDAH tem dificuldade de organizar, manter e usar novos conhecimentos.

Agora professoras do Brasil, a gente pode continuar usando macarrão seco e canudinho. Pode usar os últimos 15 minutos da aula para fazer aquele velho apanhado, que só acontece se o cansaço e a voz deixarem. Pode pedir pros alunos voltarem pra casa e procurarem números para trazer pro outro dia.
Porque na nova máxima né, se está no texto acadêmico, é verdade.

Para quem quiser ler o artigo é esse: Teaching facts of addition to Brazilian children with attention-deficit/hyperactivity disorder . Autoria de Adriana Corrêa Costa*, Luis Augusto Rohde and Beatriz Vargas Dorneles. Educational Research and Reviews Vol. 10(6), pp. 751-760, 23 March, 2015 DOI: 10.5897/ERR2014.1762

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Rui Massato Harayama

Rui Massato Harayama

Antropólogo, Colaborador da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Educação do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro. Ativista do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

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