Ocupa Cairu


Alunos mostram os livros do trienio 2012-2013-2014 escondidos pela direção da escola

Colaborou; Fotos Guilherme Carvalho

Com quase 100 anos de atividades, o colégio Visconde de Cairu, no Meier, acordou nessa segunda-feira, ocupado pelos próprios alunos. Eles iniciaram o protesto em simpatia à greve dos professores da rede estadual e contra a situação calamitosa da educação no Estado.  Seguindo o exemplo de outras 10 escolas (veja o mapa ao final da matéria) que atualmente se encontram ocupadas, o Cairu mostrou-se bastante organizado e disposto a sustentar qualquer pressão por parte da Seeduc e do governo estadual.

VISCONDE-CAIRU-OCUPACAO-RJ 18/03/2016

Prédio anexo completamente vazio e dilapidado pela falta de uso

Durante a ida do Coletivo Carranca à ocupação, vários exemplos de descaso administrativo com a escola, que ocupa uma area enorme, foram expostos: Elevadores que não funcionam, segundo andar do auditório completamente esvaziado e destruído pela falta de manutenção, mato-alto não aparado, salas dilapidas e impossíveis de se usar, prédios anexos completamente abandonados pela administração, com algumas áreas até mesmo utilizadas por usuários de drogas, livros do triênio 2012-2013-2014 empilhados em uma área escondida da escola etc. Sob esse último fato, foi possível constatar que muitos destes inclusive ainda estavam plastificados, o que demonstra o desperdício da Seeduc em dar fim social às publicações, que ainda podem ensinar muita gente.

“Nós temos laboratórios que estão fechados e sem materiais. O bosque que tem na escola está infestado de caramujos africanos, nenhum dos alunos consegue desfrutar dele por isso, as salas de informática estão fechadas, parte do telhado da quadra de esportes caiu. As salas de estudo estão com os ar-condicionados velhos, todos eles são alugados, ficando claro um caso de terceirização que provavelmente é para beneficiar empresas que investiram na campanha política do atual governador Pezão. Ainda tem o problema de que essas salas estão super lotadas de alunos, isso também dificulta o aprendizado. O ideal seria um número máximo de 35 alunos por turma, essa também é uma reivindicação nossa, já teve sala com até 60 alunos” 

Comentou uma uma representante da comissão de comunicação dos alunos ocupados. Em nota sobre problema dos livros lacrados do triênio anterior, relatado também pelo Jornal Extra em outro colégio ocupado, a Secretaria informou de modo evasivo que “a rede estadual de ensino adere ao Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, que determina validade de 3 anos para os livros.Depois, o MEC adquire e distribui os livros com conteúdos atualizados.”DSC_0352

Já as reinvindicações são as mais amplas possíveis, dada as condições atuais do ensino no Estado: Vão desde o pedido de extinção do SAERJ, quase que universalmente detestado pelos alunos, contratação de novos funcionários, passe-livre não atrelado ao Riocard e, principalmente, uma gestão mais democrática e horizontal do ambiente escolar. “Uma das coisas que é fundamental é a eleição direta para diretor em todas as escolas. Se nós podermos eleger a direção poderemos ter conosco ocupando esse cargo um professor ou mesmo o pai de um aluno que saiba quais são as reais necessidades de nossa comunidade de alunos e professores. Isso é muito melhor e mais pratico do que termos um interventor colocado pela secretária de educação que só vai estar aqui para nos reprimir em vez de lutar pelas soluções de nossas necessidades.” finalizou a representante de comunicação.

O Coletivo Carranca já fez matérias expondo situações problemáticas em escolas Estaduais, como a do CAIC Euclides da Cunha, da Regional 6, que ainda não foi totalmente desvendado. Reveja a matéria aqui:

http://coletivocarranca.cc/os-sertoes-ensino-publico/

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Leonardo Soares Coelho

Leonardo Soares Coelho

Fotógrafo e jornalista

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