Padrões de manipulação na grande imprensa, um livro de Aloysio Biondi


Ilustração: Humphrey King
Ilustração: Humphrey King

Por João Batista Damasceno*

O meu amigo Fernando Molica não vai gostar deste post. Mas, a imprensa quis acreditar na polícia no Caso Amarildo. Só as manifestações insistiram no lema “Onde está Amarildo?” e obrigou o governador a desautorizar o Secretário de Segurança e exigir que a verdade fosse explicitada.

Esta conversa onde alguém simulava ser o “traficante Catatau” e dizia que tinha matado Amarildo e colocado na conta da polícia é mais velha que andar pra frente. Eu escutei a gravação em agosto do ano passado. Há mais de um ano.

O tal “Catatau”, cheio de jargões policiais falava com alguém que seria um policial civil e o chamava de chefe, dizia “positivo operante” etc…

Fiz aqui várias postagens, algumas provocativas ao Delegado Ruchester, onde dizia que o responsável pelo sumiço do Amarildo era o Zé Colméia. Para ajudar o delegado publiquei figuras do Zé Colméia. É só conferir.

Enquanto a cúpula da segurança do Estado e a mídia incensava o delegado Ruchester e o apresentava como doutorando (sem dizer que é no Museo Argentino, que nem sede tem), deixava de dar voz ao outro delegado que já era doutor pela segunda maior universidade pública do país, a UFF.

A jornalista Beth Lucchese perguntou ao delegado que impediu a farsa sobre a possibilidade do Amarildo ter sido morto por traficantes. Recebeu como resposta que a possibilidade seria a mesma dele ter pego um taxi, ido até Niterói e pulado da Ponte Rio-Niterói. A resposta não agradou e na mídia não saiu uma linha.

A mídia comprou a história falsa e continuou com ela, mesmo quando não mais eram as evidências, mas as provas demonstravam o contrário.

Há 3 anos com o assassinato da Juíza Patrícia Acioli foi a mesma coisa. Um conceituado jornalista me disse que apostava todas as fichas que o assassinato era coisa do ex-marido dela e continuou com a versão quando já se sabia que eram PMs. O jornal O DIA não embarcou naquela versão e a editora dO DIA me disse que estava em guerra de posição e queria ver até quando O Globo iria manter a versão fantasiosa. O jornalista conceituado que apostou todas as fichas nunca mais respondeu aos meus e-mails. Apostou as fichas, mas não pagou a aposta.

De 11 de agosto a 11 de novembro de 2011 guardo – encartados – os jornais O GLOBO e O DIA que retrataram o assassinato da juíza Patrícia Acioli para, quando tiver tempo, fazer um trabalho sobre a diferença das coberturas.

Publicado originalmente na página pessoal do autor no Facebook em 01/09/2014.

Link anexado, pelo autor, à publicação: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09/pm-fingiu-ser-traficante-responsavel-por-morte-de-amarildo-diz-laudo.html

Ilustração: https://www.flickr.com/photos/humphreyking/

João Batista Damasceno é juiz no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com a tese “CORONELISMO E CORONELIMO ELETRÔNICO: REPRESENTAÇÃO POLÍTICA E ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DE 2010″ (Niterói, 2012).

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