Se o papa fosse mulher


O oposto de proibir o aborto não é a de obrigar a geração de crianças pobres e de ‘famílias desestruturadas’.Não tente colocar toda a discussão e luta sobre a descriminalização e regulamentação do aborto dentro de concepções cristãs de família. E por favor, não vista a batina do padre e fique achando que toda criança de ‘mãe solteira’ e carente da periferia era uma criança abortada em potencial.

Periferia e vulnerabilidade social não são trunfos que você pode ficar jogando na cara de quem é contra o aborto. A história da assistência social no Brasil é a de desvincular sua prática do assistencialismo cristão.

Há mulheres ricas, pobres, cristãs, ateias, evangélicas, pós-doutoradas que abortam e que queriam ter abortado.

Imaginar que o aborto irá solucionar a questão da vulnerabilidade social tem nome na história: eugenia.

O aborto só entra como questão de saúde pública pela quantidade de mulheres que morrem em clínicas não legalizadas e por complicamentos de práticas não monitoradas, como o uso do cytotec. Aborto não é engenharia social, é direito.

“Se o papa fosse mulher,
se o papa fosse mulher…
se o papa fosse mulher…
o aborto seria legal!
Seria legal e seguro,
Seria legal e seguro.”

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Rui Massato Harayama

Rui Massato Harayama

Antropólogo, Colaborador da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Educação do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro. Ativista do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

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